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domingo, 14 de outubro de 2012

O Ditador - Obrigatório para todos americanos


A heróica história do General Aladeen (Sacha Baron Cohen), ditador da República de Wadiya, localizada no norte da África. Ele dedica sua vida inteira a garantir que a democracia jamais chegue ao seu país, enquanto ergue estátuas em sua homenagem e cria seus próprios Jogos Olímpicos. Quando a comunidade internacional suspeita que Wadiya está construindo uma arma nuclear, ele é intimado a se explicar na sede da Organização das Nações Unidas, nos Estados Unidos. Mas seu encontro com a democracia americana não se passa exatamente como ele esperava...  (Fonte:  Adoro Cinema)


Sacha Baron Cohen já havia chamado atenção do mundo com o magnífico Borat e o nem tão bom assim Bruno. Dois filmes que tem em comum a participação espontânea de pessoas normais (leia-se não atores) sem saber que tudo se tratava de encenação para captar suas atitudes verdadeiras e escancarar seus defeitos. Dentre eles, o mais evidente e focado: o preconceito do povo americano e seu modo de ver o mundo.  

O Ditador abusa da visão estereotipada ao criar cenários e personagens tanto árabes quanto americanos. Muitos podem achar um exagero esse tipo de generalização, mas é uma ferramenta eficaz pra que se entenda o teor da crítica de Cohen.  O modo como o totalitarismo árabe e a visão determinista americana é tratado pode sim ser exagero por parte do diretor, mas o pequeno (talvez não tão pequeno assim) fio de verdade deixa um gosto amargo a quem a crítica interessa. É um filme que todo o povo norte-americano deveria ver para despertar a vergonha pela sua mania de ver e rotular o mundo de acordo com o que sabem ou, pior, com o que não sabem.

O sucesso mercadológico de Borat e Bruno foi tão bom que, para O Ditador, o diretor foi obrigado a abrir mão do grande charme dos dos primeiros, a mistura de realidade com ficção (muitas vezes o espectador não sabe o que é o que). O motivo é prático, não seria difícil reconhecer Sacha interpretando um personagem para enganar as pessoas. Por isso o “disfarce” já não poderia mais ser usado. O charme dos dois primeiros longas de Cohen ficou pra trás, mas a crítica aos norte-americanos foi aprofundada. Anteriormente elas eram vistas como agulhadas ao modo dos ianques ver o mundo, agora são como estacas fincadas em seus punhos. Só nos resta saber se seu orgulho fará refletir mais ou se sairão do cinema comendo pipoca sem olhar por onde pisam.



segunda-feira, 25 de julho de 2011

Super cinema

Depois dos grandes clássicos de Kubrick e Copolla, o que mais me entusiasma no cinema são filmes de super heróis. Diferentemente nos quadrinhos, em que puxo uma sardinha medonha pro lado da DC, não tenho muita preferência entre essa, a Marvel ou qualquer outra.


E o que me deixa feliz nisso tudo é que atualmente vivemos uma grande época em produções desse estilo. De uma década pra cá, alguns heróis foram vistos pela primeira vez no cinema de forma digna, como o primeiro do Homem Aranha (vindo a se perder nos outros 2), Homem de Ferro, X-Men ou Quarteto Fantástico. Embora as adaptações não venham a ser fiéis às histórias originais, uma vez que, geralmente, o público dos filmes é mais jovem que das histórias em quadrinhos, o grande trunfo desses longas é mostrar como pessoas comuns vieram a se tornar heróis e ícones, partindo do acidente no espaço do Quarteto Fantástico ou o experimento com o Hulk, passando por suas dificuldades de adaptação dos poderes, a aceitação dos seres humanos e comuns, sua inserção na sociedade, o treinamento, as lutas e finalmente
culminando na glória de derrotar o grande vilão no final.



Em outros casos, heróis voltam ao cinema com uma repaginada. Como o caso de dois extremos como Batman e Superman.
Este primeiro volta depois de desastrosas e tentativas na década de 90 que de expôs o homem morcego ao ridículo. Christian Nolan refez o Batman nos cinemas em Begins e deu continuidade no brilhante The Dark Knight. Já no homem de aço é o oposto. O filme de 2005 sequer pode ser comparado ao grande sucesso com Christopher Reeve. Com uma história fraca, atores sem identificação e o mais grave: Superman com um filho. O filme provavelmente não terá uma continuação.

O que me prende nesses filmes não á algo tão particular. A catarse (uma certa “descarga de emoções”) funciona ao eu imaginar esses personagens no meu mundo. Imaginar pessoas extraordinárias com poderes extraordinários que salvam o mundo (ou apenas os Estados Unidos) vivendo ao lado e tendo uma vida parecida com o normal.
Agora é esperar Capitão América, Lanterna Verde, o novo Batman e, quem sabe um dia o tão sonhado Liga da Justiça. Oremos.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A música do filme. O filme da música

Se você gosta de música e/ou cinema certamente tem sua vida marcada pelo menos uma vez por uma música ou filme. Alguma música te faz lembrar da adolescência, um personagem te lembra uma pessoa do passado, um filme te traz à mente um lugar... Difícil achar alguém que não faça esse “exercício” de memória.

E quando música e cinema se unem? Você ouve uma canção no filme e aquele momento da sua vida fica marcado pra sempre e os dois ficam interligados de forma que você ouve a música e se lembra do filme e não consegue assistir sem cantarolar.

Escolhi essas, em que a música se encaixa perfeitamente no conceito do filme e ambos me trazem um turbilhão de lembranças:

Twist and Shout – Beatles (Filme Vivendo a Vida Adoidado)
Um filme clássico adolescente dos anos 80 com uma música que marcou a juventude dos anos 60. Confesso que comecei ouvir Beatles a partir desse filme.



Down to Earth – Peter Gabriel (Filme Wall-E)
De longe a animação mais fantástica que já vi. Com créditos finais ao som desse gênio chamado Peter Gabriel.



Stop Crying Your Heart Out – Oasis (Filme Efeito Borboleta)
Esse final dispensa comentários



Where Is My Mind? – Pixies (Filme Clube da Luta)
Depois de descobrir realmente o segrede de Clube da Luta, Pixies pergunta “Onde está minha mente?” E eu vendo aqueles prédios desabarem, repondo que não sei. Realmente não sei.



Celine Dion – Go On (Filme Titanic)
Brincadeira =)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Live at Pompeii – O Floyd pelo Floyd

Música psicodélica é como berinjela, ou você ama ou odeia (eco). Se você não vê com bons olhos cotoveladas no teclado, cachorros uivando no microfone e guitarras fazendo sons estranhos, pare por aqui.
Live at Pompeii foi um filme da banda de Rock Progressivo Pink Floyd no anfiteatro de Pompéia, destruído pelo vulcão Vesúvio. O que de tão especial tem esse show? Absolutamente nenhum espectador. Novamente, se você conhece Pink Floyd apenas por Another Brick in The Wall, Wish You Where Here e não faz questão de passar disso. Melhor nem continuar.
O ano era 1971, época em que o Pink Floyd ainda buscava uma definição musical de fato desde a saída de Syd Barret. Tinham acabado de lançar Meddle e ainda não haviam gravado Dark Side Of The Moon (1973). Vivam uma transição entre resquícios da psicodelia de Syd Barret e a criação da sua identidade progressiva.
Aqui falarei sobre o DVD Pink Floyd Live At Pompeii – The Director’s Cut. Que além das filmagens originais, conta com entrevistas e outros extras. Destacando a entrevista com Adrian Maben, diretor e idealizador dessa obra sem precedentes no mundo; também raras filmagens dos membros da banda em estúdio na gravação de Dark Side of The Moon. (Destaque para Nick Mason reclamando da torta com crostas). O legal do DVD pára por aí. O show principal foi bastante modificado em relação a versão original, as vezes deixando de mostrar a banda tocando para exibição de imagens de planetas ou coisa parecida. Mas obrigado Adrian Maben, você pensou em mim. Colocou a versão original nos extras com a mesma qualidade de imagem.
Adrian Maben, conta em sua entrevista nos extras, que perguntou a banda se eles aceitaram tocar em playback. Aquilo foi quase um insulto, jamais os Floyd aceitariam fingir que tocam seus instrumentos. Resultado: O mais gigantesco equipamento musical da época transportado para o meio do nada, para o anfiteatro de Pompéia. Habitantes e guias turísticos locais dizem que o equipamento do Pink Floyd era tão potente que causou danos irreparáveis as estruturas do anfiteatro.
Uma das magias desse show é o destaque que cada membro recebe. Diferentemente dos outros em que futuramente Rick Wright e Nick Mason parecem apenas de base para as estrelas de David Gilmour e Roger Waters brilharem ao palco, cenas do tecladista e baterista são amplamente exploradas e fazem parte do que o filme tem de melhor. Dentre as memoráveis, destaco Wright maltratando um teclado com cotoveladas e sopapos, David Gilmour cantando com o cabelo esvoaçando ao vento (versão original, por favor), o dueto de Gilmour e Wright em Echoes, Roger Waters se preparando para “martelar” uma bateria e Nick Mason quebrando sua baqueta.
A partir do primeira nota de Echoes, entusiastas e fãs do inquieto espírito floydiano vêem a música, seu conceito e sua imagem o transportarem a uma nova dimensão do que é música. Aquilo que parece ser uma passagem de som é música. O que parece ser uma pessoa com raiva e maltratando uma bateria é música. Shows de mega bandas levavam dezenas, centenas de milhares de pessoas aos shows e o maior espetáculo do rock progressivo estava vazio. Era a música pela música. A magia pela magia. Floyd pelo Floyd.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Inception - Neorônios em forma de omelete



Contém spoilers.

Uma coisa que me fiz escrever sobre A Origem (Inception) meio atrasado (algumas semanas depois) foi esperar a poeira baixar, o estouro da boiada se acalmar e meus neurônios agora poderem trabalhar em prol desde post.

Pobre de mim. Achava que nada podia fritar mais meus miolos que Clube da Luta, ou Efeito Borboleta. Eis que surge uma obra de um diretor que se mostra cada vez mais ousado e sem medo de errar. Após reformular o envergonhado Batman no cinema, cria uma história que me fez imaginar que tipo de droga Christopher Nolan usou pra pensar nisso tudo que, não chega ser impossível de se entender, mas uma simples olhada no relógio faz perder todo sentido (torça pra ter algum).

No início, já era de se esperar uma cena pra não se entender nada (sem querer subir em cima da onça morta pra tirar foto, mas imaginei que aquele seria o final). Depois a coisa vai complicando. É necessário entender tudo a partir do final da primeira cena, se não, é melhora começar de novo. E não tenha vergonha de recomeçar.

Porém, Inception não é só complexidade crua e inteligência, o filme é extremamente empolgante, principalmente nas cenas em que certos acontecimentos só podiam ocorrer em sonhos. (A “falta de gravidade” no hotel como conseqüência da Van estar caindo no rio, por exemplo). Com personagens carismáticos e interessantes. Leonardo DiCaprio cada vez mais maduro e me fazendo esquecer Titanic é um ponto a se relevar. E, claro, alguns efeitos especiais, como a cidade se dobrar para cima e segundo minha amiga e (sic) fã, Tais, estudante de Cinema e futura editora, a cena da Van caindo no rio. Desculpe, mas a palavra é “FODA!”

Vai um paradoxo aí? Pra completar a omelete de neurônios, busquei um defeito no filme achei um. Ele é extremamente didático, chegando ficar enjoativo todo mundo explicando como tudo funciona. Porém, se eles explicando passo a passo já fica difícil de entender, sem fazer isso seria impossível de fato. Então, deixa esse defeito de baixo do tapete da razão.

Dentre infinitas perguntas que podem surgir após o término do filme, a que mais me intrigou foi: Quem é o vilão, quem é o mocinho? A resposta é simples, ninguém e ninguém. Os supostos heróis são pessoas com índoles duvidosas. Ladrões, mercenários, falsificadores, que entram na mente de uma pessoa a mando de seu concorrente, criam um mundo de mentiras inserindo uma idéia primária para que se desenvolva e acabe com si mesma. Nos moldes do maniqueísmo, isso não é lá uma coisa muito heróica. E o vilão? Robert Fischer (Cillian Murphy) não faz nada além de se defender em seus próprios sonhos (utilizando de técnicas “anti-invasão”) e que é enganado o tempo todo pela equipe de Dom Cobb. (Leonardo DiCaprio).

Essa é uma das poucas perguntas onde há respostas. Outras, como: Ele matou a esposa? (creio que sim, ele usou a inserção para que ela se matasse) O final é real ou um sonho? (O pião começou a querer parar de rodar) já não são simples de responder e dependem da interpretação de cada um.

Inception é um filme genial, com uma história genial, edição genial. Mas o que mais admiro em filmes de Nolan é seu toque de realidade, mesmo em fantasiosos como Batman ou Inception. Ele nos mostra que, assim como na vida real, não existe ninguém bom e ninguém mau. O que existem pessoas buscando seu lugar no mundo e realizar seus sonhos...

Sonhos?

O próximo será Batman – Dark Knight Rises. Não me decepcione, Nolan!

sábado, 6 de novembro de 2010

Alice no País das Maravilhas - A Guerra Fria que não cicatriza

É incrível como os filmes infantis da Disney trazem consigo nuances em que apenas adultos conseguem absorver e refletir. Mesmo assim nem todos, ou poucos. Histórias sobre mensagens subliminares, inclusive, já foram até admitidas pelos criadores de alguns filmes. Já outras, os teóricos da conspiração adoram acreditar que existem e que a Disney é mais um braço esquemático do governo norte americano com o intuito de transformar crianças em adultos precocemente.

Mensagens subliminares da lado, Alice no País das Maravilhas de Tim Burton traz também não é novidade. O cinema hollywoodiano faz isso há décadas: A luta dos Estados Unidos contra a União Soviética, o Capitalismo contra o Socialismo, e claro, o mal a ser combatido pelo bem. Se na Guerra Fria não houve luta armada declarada, nos filmes o que vemos é luta braçal, sangue, ódio. Em Rocky IV (embora não seja da Disney), em sua luta final contra o soviético Ivan Drago, Rocky (Silvester Stalone) não só representou sua pátria usando um calção listrado e a bandeira ianque, ele era todo o ódio de seu país em aniquilar aquele que era seu inimigo, também prestes a explodir.

25 anos depois, com a Guerra Fria terminada, com o capitalismo mais forte do que nunca e prestes a se tornar eterno e com a União Soviética esfacelada reduzida à Rússia, Alice no País das Maravilhas traz de volta a guerra do bem contra o mal, caracterizando suas alegorias com o intuito de regredirmos e termos alusões de que o bem é o capitalismo estadunidense e o mal, tudo aquilo que vem contra.



O vilão da história é uma rainha má, qual não apenas usa roupas e toda a decoração de sua corte de vermelho (cor da União Soviética), mas tem em seu nome sua cor. A Rainha Vermelha representa todo mal do socialismo a ser combatido, como na guerra fria. Sua corte é um jogo de alegorias representado a falida URSS. Com seus protegidos, meras aberrações rejeitadas pelo mundo e seus súditos que a sustenta (literalmente sustentam, as vezes) são submissos e estão sempre prestes a terem suas cabeças cortadas pelo deslize mais pífio possível, tal qual àqueles que seguem um governo socialista. Um governo onde todos são iguais, mas apenas para os que sequer beliscam os calcanhares dos grandes e poderosos.



A Guerra Fria termina justamente como termina a batalha final de Alice no País das Maravilhas. O gagantesco dragão, assim como a gigantesca União Soviética é derrotado, sua cabeça desce rolando a escada como um tijolo do muro de Berlim. A partir daí, os súdios da Rainha Vermelha não são mais obrigados a lhe obedecer, a final, o bem venceu e era ela quem reinaria dalí pra frente.

Mas a final, se os EUA já venceram a guerra há mais de 20 anos, porque trazer à tona todo esse assunto novamente? Acredito que, como no filme, em que Alice volta para combater o mal, os EUA temem que o ele volte. Não necessariamente como o socialismo, mas como algo ideológico parecido. Tudo isso seria um esforço para que, desde já, a população mundial tome um partido favorável a eles.

domingo, 16 de maio de 2010

Sessão Cult - Barry Lyndon – Uma pintura em movimento

Dentro de 1 ano eu pensava ter assistido o essencial da filmografia do meu diretor de cinema favorito, Stanley Kubrick. Laranja Mecânica, Dr. Fantástico, O Iluminado e 2001: Uma Odisséia no Espaço. Assisti também outros grandes longas assinados por ele, Nascido para Matar, de Olhos bem Fechados e Glórias Feitas de Sangue. Dentre os que faltam, apenas 3 eu ainda pretendia assistir. Lolita, Spartacus e Barry Lyndon.

Hoje criei ânimo e resolvi assistir o gigantesco Barry Lyndon sem muitas pretensões de inseri-lo no meu rol dos favoritos de Stanley. Pois pelo que li em sites especializados e fóruns, o filme é considerado uma obra prima sim, mas apenas para quem estuda cinema, devido a sua magnífica fotografia, iluminação única e enquadramento “a la Kubrick”, porém com um enredo maçante e história forçadamente “arrastada”. Bom, nada pode ser mais arrastado que 2001: Uma Odisséia no Espaço e isso não encaro muito como defeito.

Se especialistas ou cinéfilos impõem que o visual de Barry Lyndon é perfeito, ninguém em sã consciência poderia discordar. O longa é uma (mais uma) revolução do cinema. Para começar, toda a iluminação foi feita apenas com luz natural do sol, e para as cenas noturnas ou ambientes fechados, era feita à luz de velas. E para isso, usou de uma câmera especialmente projetada para esse tipo de ambiente. Já não bastasse toda essa preocupação, todo o figurino foi feito com roupas verdadeiras, todas feitas na segunda metade do século XVI. Tudo para que, no final, o espectador tenha uma visão perfeitamente real do que se passava na época. A fotografia e enquadramentos se dão como em todos os filmes de Kubrick, com um toque único.

Analisando a forma de arquitetar o visual de Barry Lyndon, nós, brasileiros, podemos comparar com o modo de criação dos poemas parnasianos (apesar de ter nascido na França, teve maior evidência por aqui) do início do século XX. Assim como Kubrick visa tem por objetivo a perfeição fotográfica, os escritores buscam sempre a perfeição nas formas, montando sempre o poema e suas rimas como um ouvires molda uma jóia. Porém as comparações com parnasianismo devem parar mesmo na sua forma visual. A “arte pela arte” do estilo literário o faz visar apenas as formas, pondo de lado o conteúdo. Isso não acontece em Barry Lyndon. O enredo e histórias podem ser considerados maçantes, mas apenas para aqueles não familiarizados com o tipo de obra que Stanley proporciona. O filme é repleto de detalhes, onde ninguém fez questão de acelerar o passo para que ele termine rapidamente. Detalhes que podem ser comparados a pinceladas em um quadro de auto-retrato, onde cada traço tem seu propósito de existir, e se não existisse, sentiríamos que está faltando algo. Como os traços em uma pintura, os sorrisos, os olhares, os silêncios, os passos, sons, conseguem ilustrar perfeitamente o clima da aristocracia da Grã-Bretanha. O que Barry Lyndon finalmente nos passa é uma sensação de que vemos realmente um belíssimo quadro em movimento. Uma pintura com traços de Caravaggio, conteúdo de Picasso e um surrealismo de Salvador Dali.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Um fim do mundo bem previsível.

O que eu vou fazer agora é algo como subir na onça morta pra tirar foto. Não são só os Maias que previram alguma coisa. Eu, muito antes de assistir o filme 2012, previ algumas coisas.
O filme é um amontoado de clichês. O mais evidente: O homem que separa de sua mulher devido a falta de atenção para a família e trabalho excessivo. Ela passa a viver com outro com seus 2 filhos, o que gera muito ciúme nele, já que ele não tem um relacionamento bom com eles, do contrário ao com seu "novo pai". É isso mesmo, aquelas outras dezenas de filmes tinham algo assim.



Não é bom se irritar com os exageros do filme, pois como uma boa superprodução hollywoodiana, é rotina ter limosines atravessando prédios caindo; pilotos com praticamente experiência nenhuma, manuseando um avião gigantesco como se fizesse isso a vida toda. Se não quiser ver isso nem perca seu tempo na próxima vez.

Efeitos especiais: Fabulosos. A melhor cena foi a estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro desmoronando, chocante. Tudo é muito empolgante, sempre o chão desabando, vulcões em erupção, água pra todo lado.

O que eu previ era isso, um filme com uma produção extraordinária e efeitos especiais arrepiantes e uma história de tragédia como todas as outras.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Explicações impossíveis.

Quando alguém me pergunta que tipo de música eu gosto, eu respondo:
-De música chata.
Como vou explicar pra alguém que eu gosto de músicas de 20 minutos, cheias de significados e solos de tudo quanto é coisa. Rock Progressivo? Neo Prog, Zeuhl, Space Rock. Ah não, eu gosto é de música chata mesmo.
O mesmo acontece com filmes:
-Filmes antigos e chatos.
Filmes em preto e branco, as vezes com produções duvidosas. Mas sempre com algo que não vemos em Crepúsculos ou Harry Potters por aí...
Mas o melhor é essa: -Você faz faculdade de que?
Pra quem sabe o que é Publicidade e Propaganda, ótimo! Mas e quem não faz idéia do que é?
Pra ficar mais fácil eu falo Jornalismo. É mais fácil alguém me imaginar apresentando o Jornal Nacional de terno e gravata do que criando uma campanha publicitária de calça jeans e allstar.
Se eu fosse no mínimo arrogante, poderia dizer do que eu gosto ou estudo e deixar a pessoa a deriva. Mas não, eu sou um cara legal e faço um esforcinho.

Ah, feliz ano novo!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Stanley Kubrick e Pink Floyd – Dois universos que se chocam.

Stanley Kubrick e Pink Floyd – Universos que se chocam

O que um diretor de cinema e uma banda de rock progressivo teriam em comum? Seria difícil de imaginar se fosse qualquer diretor e/ou qualquer banda. Mas trata-se de mentes geniais que marcaram pra sempre suas áreas de atuação.
Mas, a relação entre os dois vai além do puro fato de suas genialidades e importância para o cinema e a música. Stanley Kubrick foi um diretor revolucionário, criou filmes que, com certeza, pelo menos um, está na lista dos 10 melhores de todos os tempos de qualquer cinéfilo. Pink Floyd foi uma mega banda admirada por todos amantes de rock progressivo. É o carro-chefe do estilo e a primeira a ser mencionada nesse assunto. O que veremos aqui são características em comum entre os métodos de criação de um marco no cinema e na música.

A exaustiva busca da perfeição

Ainda criança, Kubrick ganhou de seu pai um tabuleiro de Xadrez. Com certeza o pai não fazia idéia da importância disso. Esse simples presente ajudaria criar um espírito perfeccionista em seu filho. Perfeição sempre almejada nas formas, planos de filmagem e fotografias de seus filmes. Onde mais se pode ser notada é no filme Barry Lyndon, seu filme mais visualmente perfeito. Enquadramento, luz e também as atuações. Os atores tiveram que repetir exaustivamente as cenas para finalmente sair como Kubrick queria. É tido também como um marco na fotografia cinematográfica.
A busca da perfeição é uma característica de todo rock progressivo. Mas como o Floyd é a locomotiva desse estilo, cabe a ela o maior reconhecimento. O perfeccionismo do Pink Floyd poderia se resumir a um nome: Roger Waters. O britânico é conhecido como rabugento e excessivamente metódico na composição de suas músicas. Mas não, não se resume a apenas ele. Existem outros três com o mesmo espírito sempre inquieto. David Gilmour, Rick Wright e Nick Mason. Cada um em seus instrumentos. Cada acorde ou solo, letras ou capas é meticulosamente criado para o conceito dos álbuns. Nada é por acaso, tudo está lá porque tem um devido propósito.

O espaço e o tempo

O quesito primário para se assistir um filme de Kubrick: Ter tempo sobrando. Os filmes facilmente ultrapassam às 2 horas. Já o Pink Floyd tem uma discografia regrada de músicas com mais de 10, 12, 15 minutos, algumas com mais de 20. A banda além de ser rotulada como “progressiva”, está inserida em um estilo visivelmente comparável aos filmes de Stanley Kubick, trata-se do Space Rock. Esse estilo é marcado pelas longas passagens de instrumentos, como sintetizadores e uso experimental de guitarras. Kubrick esbanja tal característica. Seus filmes são marcados por longas cenas e, principalmente diálogos. Diálogos que fazem o espectador penetrar profundamente na mente do personagem. O que Kubrick e Floyd magistralmente fazem com isso é prender seu público mostrando o conteúdo denso e, mutas vezes, enigmático, que de suas obras. Embora para muitos não familiarizados com o tempo das músicas e filmes se trata de uma bela provação de paciência.

Megalomania

É difícil imaginar a produção de 2001: Uma Odisséia no Espaço em 1968. Não é um filme pra essa época, não existiam recursos para uma produção tão gigantesca. São efeitos especiais que até para hoje podem ser considerados de alto nível. Kubrick sempre pensa a frente de seu tempo, mas para a produção desse filme ele parece ter se teleportado para o futuro.
Mais difícil ainda era imaginar uma banda na década de 80, em pleno fervor punk, levantar um muro de dezenas de metros no palco pra depois simplesmente destruí-lo, bonecos infláveis gigantescos, shows de luzes e conteúdo. Esse era o Pink Floyd em sua megalomaníaca turnê The Wall. O show The Wall Live in Berlin, que não era com o Pink Floyd mas apenas com Roger Waters foi considerado um dos maiores espetáculos da história da música. Destaque também para a turnê Division Bell com o famoso espetáculo de luzes.
A banda era conhecida por seu experimentalismo com instrumentos eletrônicos como sintetizadores e teclados. Era a banda que tinha, na época, o mais impressionante equipamento musical de todo mundo. Eram caminhões que seguiam viagem em suas turnês e postas no palco.
Foi uma das raras bandas adeptas do sistema de gravação quadrifônica. De tão impressionante era a sua complexidade técnica para instalação e alto custo de implantação o sistema foi um fracasso.

Conceito e conteúdo. O ser humano e seus conflitos

Dr. Fantástico, um fictício desfecho da Guerra Fria caso um cientista com problemas mentais fosse ouvido; Laranja Mecânica, um jovem líder de uma gangue que se diverte estuprando e promovendo a ultra violência que é submetido a um tratamento de choque para curar sua loucura; O Iluminado, uma pessoa aparentemente normal que de tanto ficar isolada enlouquece a ponto de querer matar sua esposa e próprio filho.
Dark Side Of The Moon traz músicas que refletem diferentes fases da vida humana, seus elementos mundanos e fúteis, e a sempre presente ameaça de loucura; The Wall, um rapaz que constrói um muro em sua consciência para isolá-lo da sociedade, e, através das drogas, refugia-se num mundo de fantasia que criou para si.
Nada tão complexo e denso como a mente humana e, mais precisamente, sua loucura. O tema foi tão explorado por Floyd e Kubrick que acabou se tornando características fundamentais de suas obras.
Arte nada mais é que a expressão de sentimentos através de formas, sons, cores e conteúdos. Pink Floyd e Staneley Kubrick podem ser vistos no rol dos grandes gênios da humanidade que usam sua “insanidade” para chegar aonde chegaram. Um vez considerando o extremo apelo a loucura humana nas obras do e seu desdém as tendências.

2001 e Echoes.

Strauss que me perdoe, mas Echoes nasceu para ser trilha sonora de 2001: Uma Odisséia no Espaço.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Feeling Matemático

Primeiramente, detesto usar palavras em inglês ou qualquer outra língua gratuitamente, mas "feeling" em português ao pé da letra significa "sentimento". E não soa muito bem no contexto, já que eu busco, além de simplesmente gostar, analisar cada nuance ou significado do que vejo, ouço ou leio. Já feeling, em inglês mesmo, tem uma proposta de dar um conceito de antimecanização, podendo facilmente chegar ao contexto de "orgânico".

Segundo a Teoria Matemática Funcionalista da Comunicação, a repetição de uma informação diminui os riscos de ocorrência de ruídos do emissor ao receptor. (compre Batom, compre Batom, compre Batom...), portanto, algumas coisas eu acho que merecem um "bis", mesmo que seja por motivos tão peculiares. Pra, quem sabe, eu eliminar qualquer ruído que interfira na ligação entre minha opinião com o senso comum. (Não, não estou tentando pensar como o senso comum, mas sim o entender).

2001 - Uma Odisséia no Espaço
Quanto mais eu coleto informações sobre clássicos do cinema, quanto mais entro em blog's, foruns, comunidades. Quando mais conheço cinéfalos, mais eu noto o quanto a crítica eleva esse filme. É um absurdo o número de pessoas que dizem sem medo algum que esse é o melhor filme de todos os tempos. E eu, bem, eu não gostei.
Felizmente alguém disse que passou a gostar do filme a partir da 4ª vezes que o assistiu. Não custa tentar.

Prost - No Caminho de Swann
Outro clássico, mesmas opiniões de especialistas. Porém da literatura. Eu já comecei a ler 4 vezes e na última, postei um desafio neste mesmo blog e ele venceu, mais um vez. Não hoje, nem amanhã. Mas no momento em que eu achar certo eu lanço outro desafio.

Genesis
Uma das mais conceituadas bandas de Rock Progressivo, um dinossauro, um "medalhão". Mesmo tendo negligenciado toda e qualquer música pós Peter Gabriel, eu ainda não digeri essa banda. A discografica já está engatilhada no Bitcomet e meu mp3 player está a postos. Vai ser um choque térmico no cérebro.

O Pequeno Príncipe
Esse é diferente. Mesmo sendo um e-book, é meu livro de cabeceira. Eu leio, e quando termino, leio as partes que eu mais gosto. Aqui nunca houve ruídos, a comunicação já é clara desde o início.

sábado, 21 de novembro de 2009

Tirem as crianças da sala.



Já fazia um bom tempo que pretendia ver esse filme. Primeiro: é um filme de super-heróis; segundo: é uma adaptação de história em quadrinho; terceiro: é uma história em quadrinhos da DC, e de quebra do Alan Moore.
Por muita sorte, achei o filme em um pendrive na gráfica onde eu trabalho. Em excelente qualidade.
É um filme de super heróis, mas não deixe seu filho ver. Além de durar incríveis 2:40h e conter com cenas extremamente sangrentas, não tem um roteiro que uma criança consiga acompanhar. Heróis prendendo bandidos? Esqueça. Em Watchmen não tem Superman ou homem-aranha com seus valores politicamente corretos. Aqui os "heróis" têem ataques de raiva e matam sem piedade. Inclusive, o vilão é um herói. E seu "plano malvado" (apesar de ser bem diferente da HQ original) salva a humanidade de uma Terceira Guerra mundial.
E é parte do que o filme tem de melhor. Mostra o lado humano dos heróis, que estão aposentados. Com problemas piscológicos, crises existenciais, crises de idade.

-Não vamos deixar você fazer isso.
-Deixar? Por acaso pensam que eu sou um vilão de histórias em quadrinhos? Vocês acham que eu ia contar meu plano perfeito se existisse alguma chance de vocês atrapalharem? Ele já foi iniciado faz 35 minutos.

Watchmen entra pra minha lista de melhores adaptações de quadrinhos pra cinema. Junto com 300 e sin City.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Justificativas

(09:01:09) DeLarge fala para Neofascista: vc é discípulo do Capitão Nascimento?
(09:01:50) Neofascista fala para DeLarge: Admiro ele. Vc também é violento como o Alex (DeLarge)?
(09:02:32) DeLarge fala para Neofascista: digamos que eu compreendo o Alex

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sessão Cult - Alex, Alex, já são 7 horas.

Laranja Mecânica.

Diferentemente da minha opinião sobre 2001: Uma Odisséia no Espaço, Laranja Mecânica eu posso dizer com gosto: PERFEITO.

Me lembro de ter visto o filme Clube da Luta pela primeira vez. Pelo menos da metade pra frente, se uma mosca pousasse em meus olhos eu não os fecharia de tão obcecado que estava com a história. Isso pelo menos da metade pra frente. Já em Laranja Mecânica, aconteceu do primeiro ao último segundo de filme.
Já de início, o olhar sádico e o sorriso maligno de Alex DeLarge com uma música amedrontadora de fundo já nos dá uma boa noção de sua personalidade ao longo do filme.

Não li nada sobre o que o filme tenta nos passar, portanto a interpretação é toda minha, estando errada ou não.

O filme foi lançado em 1971, mas a história é no futuro, portanto Alex pode ser considerado uma vítima da sociedade pós-moderna. Ele é o resultado da opressão vivenciada principalmente no Reino Unido. E onde há opressão, há pessoas lutando contra ela.
Suas atitudes ultraviolentas são o que os pensadores sociais imaginavam acontecer se aquela submissão cega às leis durasse muito. Alex agia por si e era feliz sendo ele mesmo, e isso incomodava o "sistema".

Após sua prisão, o tratamento de choque e a "cura", Alex se torna o que esse sistema quer que as pessoas sejam. Meras laranjas mecânicas, onde suas engrenagens são postas em movimento de acordo com a corda dada pelo poder.
Alex é a laranja qual todos deveriam ser, mas não por vontade própria, pois essa laranja é mecanizada, mas pelo castigo que o sistema o submete quando tenta agir por vontade própria.
A partir do momento em que ele não faz o que quer, ele se torna infeliz e o sofrimento o faz cometer suicídio pulando do prédio, infelizmente mal sucedido.

O tratamento dos ferimentos de Alex passa a ser o tratamento para sua cura real. Ele acorda depois de muito tempo e como um passe de mágica, em um teste feito pela psiquiatra, ele se vê curado de verdade. Alex finalmente é Alex. O que ele não deveria nunca deixar de ter sido.


ATUALIZAÇÃO 5 MINUTOS DEPOIS DE POSTAR:

Achei uma boa interpretação do filme:

http://www.ipv.pt/forumedia/5/21.htm

A pasmem, não tem nada a ver com o que eu falei. E pasmem quem pensa que fico triste com isso. Eu adorei!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Sessão Cult - Assim Dizia Zaratrusta

2001: Uma Odisséia no Espaço.

2001 tem quatro dos ingredientes primordiais para eu qualificar como "perfeito" um filme. Mas não foi desta vez.

- Espaço. Todo e qualquer filme que envolva viagens espaciais rumo ao desconhecido, naves ultramodernas que provavelmente nunca serão construídas de verdade e falta de gravidade já me anima bastante.

-Ficção científica. Fugir da realidade as vezes não faz mal a ninguém.

- Inovação. Não é só mais um filme inovador de Stanley Kubrick, é um filme pioneiro nos efeitos especiais e em alguns temas abordados. Tais como a chegada do homem na lua 1 ano antes de Armstrong e a forma peculiar de se mostrar a evolução da humanidade.

- Efeitos Sonoros. Essa não tem como discutir. Qualquer um conhece a música tema do filme. Assim Dizia Zaratrusta.

O melhor personagem, de longe, é HAL 9000. Um supercomputador que comanda a nave Discovery para a viagem para Júpter. Me assusta a frieza de sua voz e seus atos. Eis mais um tema inédito abordado no filme. A inteligência artificial e o quão ela pode ser prejudicial ao ser humano ao longo de sua evolução.

Mas então, por quê não foi dessa vez?
Ok, é um clássico, inovador. MAS EU NÃO GOSTEI! E pouco me importa se os estudiosos de cinema ou admiradores dizem ser uma obra-prima.

O filme é extremamente cansativo de se assistir. E olha que eu extremamente paciente. Mesmo ouvindo Strauss e Ligeti, eu olhei no relógio várias vezes pra ver quanto tempo dura o pouso das naves. Mas tudo bem, pelo que pude perceber, essa demora acontece nas cenas onde os efeitos especiais eram inéditos para a época. (Pouso de naves, astronautas a deriva no espaço), pra época deveria ser bastante interessante se deleitar a cada segundo disso.

O final teve uma fantástica intenção, mas soltei um #@¨%! quando realmente terminou.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Filmes a assistir.

Já que agora na minha casa tem uma internet digna de se classificar como rápida, pretendo, nessas férias, baixar alguns filmes que há muito tempo quero ver.

Scarface
Laranja Mecânica
O Poderoso Chefão (Esse se eu achar pra alugar vai ser bem melhor)
Ben Hur
Alguns filmes do Glauber Rocha do Cinema Novo Brasileiro

por enquanto é só

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Desventuras em Série



Definitivamente, eu não tenho senso crítico algum em se tratando de cinema. Eu quase me encaixo naquele grupo de pessoas que se sentem obrigados a terminar de assistir um filme só porque começou, mesmo ele sendo uma droga.

Eu reparei isso quando me peguei assistindo fervorosamente ao filme Desventuras em Série (A Series of Unfortunate Events) na Sessão da Tarde na quarta feira. Ele me fez lembrar outros filmes "infantis" que eu sentia a mesma coisa. Um deles deles é A Princesinha.

Senso crítico por cinema eu não tenho mesmo. Diretores que conheço, no máximo são Baz Luhrman, Fernando Meirelles, Victor Fleming, Quentin Tarantino e outros Hollywoodianos por aí. Mas depois de fazer uma auto-análise (como eu adoro fazer isso) eu descobri o porquê de gostar desse tipo de filme.

Quando pensamos em filmes infantis, qual o começo, meio e fim que esperamos? A felicidade dos mocinhos, os planos do vilão, a maldade do vilão e o sofrimento dos mocinhos, o final feliz.
Por que eu, particularmente, me interessaria por algo tão óbvio? Exatamente por isso, por ser óbvio. Eu sou muito afobado e se eu sei o que vai acontecer em alguma história eu já quero que aconteça logo, é diferente de filmes em que não sei o que acontecerá. E pasmem, torço pra que aconteça! Sim, eu sou uma criança que torce pros mocinhos nos filmes infantis.

Esse é o motivo de eu gostar desses filmes em geral, não só infantis. Mas esse, Desventuras em Série me chamou muito a atenção. Repetindo, eu não sei o que estou falando, entendo tanto de cinema quanto de propulsores espaciais. E pensar que entender de cinema é apenas assistir filmes de hollywood é o mesmo que achar que entender de música é apenas assistir MTV.
Jim Carrey como vilão pra filme infantil. Não tem como dar errado, o cara é perito na arte de ser mau e engraçado ao mesmo tempo. O visual é belíssimo as atuações dos atores mirins surpreendem. A história, apesar do final esperado é empolgante, e como eu disse, cheguei a torcer para tudo dar certo. Mas o melhor de tudo, apesar do desenrolar de conto de fadas, o filme todo tem um toque sombrio, o que deixa muito interessante.

Andei lendo por aí e vi que é história baseada em livros, e como qualquer outra adaptação, o livro é bem melhor.
Vou procurar ler um dia desses...