Dentro de 1 ano eu pensava ter assistido o essencial da filmografia do meu diretor de cinema favorito, Stanley Kubrick. Laranja Mecânica, Dr. Fantástico, O Iluminado e 2001: Uma Odisséia no Espaço. Assisti também outros grandes longas assinados por ele, Nascido para Matar, de Olhos bem Fechados e Glórias Feitas de Sangue. Dentre os que faltam, apenas 3 eu ainda pretendia assistir. Lolita, Spartacus e Barry Lyndon.
Hoje criei ânimo e resolvi assistir o gigantesco Barry Lyndon sem muitas pretensões de inseri-lo no meu rol dos favoritos de Stanley. Pois pelo que li em sites especializados e fóruns, o filme é considerado uma obra prima sim, mas apenas para quem estuda cinema, devido a sua magnífica fotografia, iluminação única e enquadramento “a la Kubrick”, porém com um enredo maçante e história forçadamente “arrastada”. Bom, nada pode ser mais arrastado que 2001: Uma Odisséia no Espaço e isso não encaro muito como defeito.
Se especialistas ou cinéfilos impõem que o visual de Barry Lyndon é perfeito, ninguém em sã consciência poderia discordar. O longa é uma (mais uma) revolução do cinema. Para começar, toda a iluminação foi feita apenas com luz natural do sol, e para as cenas noturnas ou ambientes fechados, era feita à luz de velas. E para isso, usou de uma câmera especialmente projetada para esse tipo de ambiente. Já não bastasse toda essa preocupação, todo o figurino foi feito com roupas verdadeiras, todas feitas na segunda metade do século XVI. Tudo para que, no final, o espectador tenha uma visão perfeitamente real do que se passava na época. A fotografia e enquadramentos se dão como em todos os filmes de Kubrick, com um toque único.
Analisando a forma de arquitetar o visual de Barry Lyndon, nós, brasileiros, podemos comparar com o modo de criação dos poemas parnasianos (apesar de ter nascido na França, teve maior evidência por aqui) do início do século XX. Assim como Kubrick visa tem por objetivo a perfeição fotográfica, os escritores buscam sempre a perfeição nas formas, montando sempre o poema e suas rimas como um ouvires molda uma jóia. Porém as comparações com parnasianismo devem parar mesmo na sua forma visual. A “arte pela arte” do estilo literário o faz visar apenas as formas, pondo de lado o conteúdo. Isso não acontece em Barry Lyndon. O enredo e histórias podem ser considerados maçantes, mas apenas para aqueles não familiarizados com o tipo de obra que Stanley proporciona. O filme é repleto de detalhes, onde ninguém fez questão de acelerar o passo para que ele termine rapidamente. Detalhes que podem ser comparados a pinceladas em um quadro de auto-retrato, onde cada traço tem seu propósito de existir, e se não existisse, sentiríamos que está faltando algo. Como os traços em uma pintura, os sorrisos, os olhares, os silêncios, os passos, sons, conseguem ilustrar perfeitamente o clima da aristocracia da Grã-Bretanha. O que Barry Lyndon finalmente nos passa é uma sensação de que vemos realmente um belíssimo quadro em movimento. Uma pintura com traços de Caravaggio, conteúdo de Picasso e um surrealismo de Salvador Dali.
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domingo, 16 de maio de 2010
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Feeling Matemático
Primeiramente, detesto usar palavras em inglês ou qualquer outra língua gratuitamente, mas "feeling" em português ao pé da letra significa "sentimento". E não soa muito bem no contexto, já que eu busco, além de simplesmente gostar, analisar cada nuance ou significado do que vejo, ouço ou leio. Já feeling, em inglês mesmo, tem uma proposta de dar um conceito de antimecanização, podendo facilmente chegar ao contexto de "orgânico".
Segundo a Teoria Matemática Funcionalista da Comunicação, a repetição de uma informação diminui os riscos de ocorrência de ruídos do emissor ao receptor. (compre Batom, compre Batom, compre Batom...), portanto, algumas coisas eu acho que merecem um "bis", mesmo que seja por motivos tão peculiares. Pra, quem sabe, eu eliminar qualquer ruído que interfira na ligação entre minha opinião com o senso comum. (Não, não estou tentando pensar como o senso comum, mas sim o entender).
2001 - Uma Odisséia no Espaço
Quanto mais eu coleto informações sobre clássicos do cinema, quanto mais entro em blog's, foruns, comunidades. Quando mais conheço cinéfalos, mais eu noto o quanto a crítica eleva esse filme. É um absurdo o número de pessoas que dizem sem medo algum que esse é o melhor filme de todos os tempos. E eu, bem, eu não gostei.
Felizmente alguém disse que passou a gostar do filme a partir da 4ª vezes que o assistiu. Não custa tentar.
Prost - No Caminho de Swann
Outro clássico, mesmas opiniões de especialistas. Porém da literatura. Eu já comecei a ler 4 vezes e na última, postei um desafio neste mesmo blog e ele venceu, mais um vez. Não hoje, nem amanhã. Mas no momento em que eu achar certo eu lanço outro desafio.
Genesis
Uma das mais conceituadas bandas de Rock Progressivo, um dinossauro, um "medalhão". Mesmo tendo negligenciado toda e qualquer música pós Peter Gabriel, eu ainda não digeri essa banda. A discografica já está engatilhada no Bitcomet e meu mp3 player está a postos. Vai ser um choque térmico no cérebro.
O Pequeno Príncipe
Esse é diferente. Mesmo sendo um e-book, é meu livro de cabeceira. Eu leio, e quando termino, leio as partes que eu mais gosto. Aqui nunca houve ruídos, a comunicação já é clara desde o início.
Segundo a Teoria Matemática Funcionalista da Comunicação, a repetição de uma informação diminui os riscos de ocorrência de ruídos do emissor ao receptor. (compre Batom, compre Batom, compre Batom...), portanto, algumas coisas eu acho que merecem um "bis", mesmo que seja por motivos tão peculiares. Pra, quem sabe, eu eliminar qualquer ruído que interfira na ligação entre minha opinião com o senso comum. (Não, não estou tentando pensar como o senso comum, mas sim o entender).
2001 - Uma Odisséia no Espaço
Quanto mais eu coleto informações sobre clássicos do cinema, quanto mais entro em blog's, foruns, comunidades. Quando mais conheço cinéfalos, mais eu noto o quanto a crítica eleva esse filme. É um absurdo o número de pessoas que dizem sem medo algum que esse é o melhor filme de todos os tempos. E eu, bem, eu não gostei.
Felizmente alguém disse que passou a gostar do filme a partir da 4ª vezes que o assistiu. Não custa tentar.
Prost - No Caminho de Swann
Outro clássico, mesmas opiniões de especialistas. Porém da literatura. Eu já comecei a ler 4 vezes e na última, postei um desafio neste mesmo blog e ele venceu, mais um vez. Não hoje, nem amanhã. Mas no momento em que eu achar certo eu lanço outro desafio.
Genesis
Uma das mais conceituadas bandas de Rock Progressivo, um dinossauro, um "medalhão". Mesmo tendo negligenciado toda e qualquer música pós Peter Gabriel, eu ainda não digeri essa banda. A discografica já está engatilhada no Bitcomet e meu mp3 player está a postos. Vai ser um choque térmico no cérebro.
O Pequeno Príncipe
Esse é diferente. Mesmo sendo um e-book, é meu livro de cabeceira. Eu leio, e quando termino, leio as partes que eu mais gosto. Aqui nunca houve ruídos, a comunicação já é clara desde o início.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
...responsável por aquilo que cativas.
Primeiramente, se Nathália Fontoura estiver lendo isso, contenha seu orgulho ou qualquer coisa parecida.
Nunca cheguei menosprezar esse livro, muito menos duvidar da capacidade do autor em atingir em cheio o âmago do ser de quem o lê. Eu até sempre respeitei. Mas, sabe quando só respeita algo? Como eu respeito Frank Sinatra, mas não ouço.
Eu respeitava Saint-Exupéri, mas nunca li O Pequeno Príncipe. Não porque eu tinha o preconceito que todos têm por achar ser "uma história infantil", mas nunca me interessei mesmo.
Foi quando, não sei por qual motivo desse mundo (claro que eu sei, mas faz de conta que não), me veio a frase "Torna-te eternamente responsável por aquilo que cativas". Pensei muito nisso, muito mesmo. Cheguei em casa e comecei ler o livro.
Diferentemente da minha profunda irritação que sentia quando eu ouvia a força com a Nathália a história narrada, eu mergulhei por completo na história, passei a refletir cada linha de diálogo entre o príncipe e qualquer outro personagem.
O mais intrigante, pra mim, é pensar como uma crianças guardaria consigo uma filosofia tão rica em sua ingenuidade.
Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
domingo, 26 de abril de 2009
Te desafio, Proust

Minha casa sempre foi repleta de livros. Nós nunca tivemos um espaço reservado a eles. Uma estante ou coisa parecida, mas sempre tivemos livros. Eles sempre estão jogados por aí ocupando espaço. De uns tempos pra ca eu ando reunindo na minha rack.
Nem todos eu li, aliás uma boa parte eu sequer abri. Eu literalmente julgo os livros pela capa. Não porque não me interesso em leitura, mas não me interesso por esses que me rondam.
Por volta dos meus 15 ou 16 anos, um primo estava rabiscando um livro na sala, quando minha tia notou, num ataque de fúria deu um grito: - Você tá rabiscando um Proust!
Proust, o que é isso? Por que esse livro é tão importante? Fiquei curioso e comecei a ler. A mesma tia me viu e disse que eu não daria conta de lê-lo, fiquei mais curioso ainda. Por que eu não daria conta? Fui descobrir o motivo logo na primeira página. A leitura é dificílima! Ok, Prost me venceu. Fechei o livro e nunca mais o li.
Desde então, Proust vem me acompanhando onde eu vou. Nunca desafiei novamente mas agora é a hora.
Lendo: Marcel Proust - No Caminho de Swann
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Lendo: Dostoievski - O Jogador
Dostoievski é mestre em descrever psicologicamente as pessoas. Especialmente personagens mal-caráter. Por ser um livro narrado em primeira pessoa, mergulhamos a fundo em cada vírgula que o personagem principal pensa, sentimos cada agulhada de dor que sente e vivemos sua vida.
Não faz falta alguma não saber a cor do cabelo dos personagens, se são feios ou bonitos, altos, gordos. A prioridade aqui é o que se passa pelos pensamentos mais sórdidos de cada um. Aliás, nem os próprios personagens querem saber sobre a beleza dos outros, o que interessa é ela ter muito dinheiro ou não.
Chega causar náuseas ler como Dostoievski descreve o ser humano. Somos todos mesquinhos, egoístas, interesseiros. Mesmo quando estamos no fundo do poço queremos mostrar que estamos acima dos demais. O que vale é a aparência, nada mais.
Não faz falta alguma não saber a cor do cabelo dos personagens, se são feios ou bonitos, altos, gordos. A prioridade aqui é o que se passa pelos pensamentos mais sórdidos de cada um. Aliás, nem os próprios personagens querem saber sobre a beleza dos outros, o que interessa é ela ter muito dinheiro ou não.
Chega causar náuseas ler como Dostoievski descreve o ser humano. Somos todos mesquinhos, egoístas, interesseiros. Mesmo quando estamos no fundo do poço queremos mostrar que estamos acima dos demais. O que vale é a aparência, nada mais.
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