domingo, 31 de julho de 2011

De volta às rupturas. Baladas preguentas

A linha que separa o “não gostar” de “desdenhar” não tem nada de tênue. Tão larga que pode facilmente ser chamada de faixa. Ou seja, você pode odiar Guns n’Roses e bandas de grunge a vontade, mas faça isso apenas por gosto pessoal e saiba que elas tem grande importância pra história do rock.



A década de 80 havia terminado, a MTV já era uma mega potência sonhada por qualquer artista musical ou banda do mundo que almejava algum status no mainstream internacional. Como o pop era também cada vez mais forte, algumas bandas de rock deviam se moldar pra ser aceitas por essa e outras corporações. Algumas bandas mergulharam no pop (http://rafew.blogspot.com/2011/05/rock-progressivo-80s-quem-procura-acha.html), outras encontraram um caminho diferente, mas que também agradou muito a cultura pop. As baladas.

Talvez você conheça Aerosmith pelos clipes com a Alicia Silverstone (que veio a ser a garota propaganda da banda) ou baladas como I Don't Wanna Miss A Thing, que fazem parte da trilha sonora do filme Armagedon, entre outras. Não é certo dizer que “isso não é Aerosmith”, pois qualquer coisa feita por uma banda, mesmo que fuja de sua essência, faz parte de sua obra. Porém o que nós, rockeiros amantes de guitarra e fúria gostamos é bem diferente disso. Aermosmith é só um exemplo, assim como o Bom Jovi ou Whitesnake, de como o antigo e excelente hard rock se moldou para ser aceito na mídia. Criando, na década de 90, basicamente baladas que em sua maioria falavam de aventuras amorosas.



O que o Grunge e o Guns n’Roses tem a ver com essa história toda? Assim como o punk havia feito, essas duas correntes devolveram ao rock o espírito rock and roll para uma geração órfã de ídolos com atitude. As baladas, os rostinhos bonitos (não valendo pro Steven Tyller), o amor já estava saturado e os jovens queriam mais e isso os bad boys do Guns e, principalmente o Nirvana trouxeram de volta. Uma tendência tão forte, ao mesmo tempo audaciosa, que a MTV foi obrigada a engolir. Agora tinha músicos drogados quebrando instrumentos nos clipes, músicas falando de violência, sexo, pornografia ou qualquer coisa que vinha na cabeça desses jovens ídolos que surgiam.



Fãs mais ortodoxos de Nirvana e Gun n’ Roses geralmente se odeiam, assim como os membros da banda, que muitas vezes deixaram isso bem público. Mas algo que eles têm em comum é que fizeram parte de uma das gerações mais importantes para o rock. (falo mesmo, o choro é livre)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

UOL e sua propaganda mais ridícula


Em seus 15 anos de existência, a publicidade do portal UOL se encontra numa fase difícil. A campanha de 2011 (A internet tem um farol) sequer é digna de sua importância na internet brasileira, tendo em vista a falta de criatividade e ousadia das peças veiculadas na televisão. Mas não faz tão pouco tempo que isso vem acontecendo. Os clichês vêm à tona quando cada membro de uma família explica porque gosta do UOL, ou apresentadores com diferentes etnias com ar de inteligência simplesmente explicam o que o portal tem a oferecer.

Ok, mas e daí? Publicidade clichê é como formiga, gente besta e corintiano, sempre teve aos montes e nunca vai acabar. Por que gastar tempo falando disso?
Por que o UOL simplesmente transcendeu a barreira do óbvio e mergulhou diretamente no ridículo ao veicular um comercial, o qual um garoto, que não consegue tocar sua guitarra, desiste do seu instrumento e começar a "tocar guitarra" em um jogo de computador. Enquanto isso o narrador parece se orgulhar do tal feito. (não achei o vídeo pra ilustrar, desculpe).

É esse tipo de pessoa que o UOL quer mostrar como seus clientes? Jovens estúpidos, bitolados em computador que simplesmente desistem do mundo real e procuram o mundo virtual pra se satisfazer. E se o garoto não conseguir uma namorada, ele vai correr pro UOL procurar uma namorada virtual e será feliz? Se for isso mesmo, o Universo On Line tem o nome mais perfeito do mundo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Super cinema

Depois dos grandes clássicos de Kubrick e Copolla, o que mais me entusiasma no cinema são filmes de super heróis. Diferentemente nos quadrinhos, em que puxo uma sardinha medonha pro lado da DC, não tenho muita preferência entre essa, a Marvel ou qualquer outra.


E o que me deixa feliz nisso tudo é que atualmente vivemos uma grande época em produções desse estilo. De uma década pra cá, alguns heróis foram vistos pela primeira vez no cinema de forma digna, como o primeiro do Homem Aranha (vindo a se perder nos outros 2), Homem de Ferro, X-Men ou Quarteto Fantástico. Embora as adaptações não venham a ser fiéis às histórias originais, uma vez que, geralmente, o público dos filmes é mais jovem que das histórias em quadrinhos, o grande trunfo desses longas é mostrar como pessoas comuns vieram a se tornar heróis e ícones, partindo do acidente no espaço do Quarteto Fantástico ou o experimento com o Hulk, passando por suas dificuldades de adaptação dos poderes, a aceitação dos seres humanos e comuns, sua inserção na sociedade, o treinamento, as lutas e finalmente
culminando na glória de derrotar o grande vilão no final.



Em outros casos, heróis voltam ao cinema com uma repaginada. Como o caso de dois extremos como Batman e Superman.
Este primeiro volta depois de desastrosas e tentativas na década de 90 que de expôs o homem morcego ao ridículo. Christian Nolan refez o Batman nos cinemas em Begins e deu continuidade no brilhante The Dark Knight. Já no homem de aço é o oposto. O filme de 2005 sequer pode ser comparado ao grande sucesso com Christopher Reeve. Com uma história fraca, atores sem identificação e o mais grave: Superman com um filho. O filme provavelmente não terá uma continuação.

O que me prende nesses filmes não á algo tão particular. A catarse (uma certa “descarga de emoções”) funciona ao eu imaginar esses personagens no meu mundo. Imaginar pessoas extraordinárias com poderes extraordinários que salvam o mundo (ou apenas os Estados Unidos) vivendo ao lado e tendo uma vida parecida com o normal.
Agora é esperar Capitão América, Lanterna Verde, o novo Batman e, quem sabe um dia o tão sonhado Liga da Justiça. Oremos.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

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terça-feira, 12 de julho de 2011

Post-Rock. 4 bandas para entender (ou não).

Espíritos inquietos buscando coisas novas sem fugir de certa linha. Não sabe explicar do que gosta, simplesmente gosta, nunca está satisfeito e quer mais, sempre mais.
Ok, vamos deixar a subjetividade de lado. Meus seguidores do twitter devem estar até enjoados de ver eu falando de Post –Rock. Mas o que diabos é isso afinal? Boa pergunta.
Seguindo a sempre didática Wikipédia, Post-Rock é uma mescla de Rock Alternativo com Space Rock e influência do Rock Progressivo.
Mas vamos deixar essas definições idiotas de lado porque música não é bolo de fubá e eu não sou Ana Maria Braga pra explicar receitas.
Vou direto ao ponto: 4 bandas de Post-Rock pra se entender Post-Rock.


Pelican
Existem 2 pontos muito distintos no Post-Rock. Dois extremos chamados Pelican e Sigur Rós. Esta primeira, a australiana Pelican tem instrumental pesado, com longas distorções de guitarra e as vezes pegada de heavy metal. Agrada fãs de metal progressivo como Symphony X, Dream Theater ou Evergrey.


Godspeed You! Black Emperor
Uma gigante do estilo. Lendo sobre suas características, a banda canadense, com seus 9 integrantes poderia ser facilmente assimilada com qualquer banda de rock progressivo. Composições longas (longas mesmo), instrumentos usados de forma incomum e extremamente complexa. Fãs de Pink Floyd e Space Rock se sentirão bem familiarizados com GY!BE


Aerial
Como não podia deixar de ser, a Suécia representa dignamente qualquer estilo de rock possível e imaginável. Aerial é carregada de riffs empolgantes e é a única até aqui que tem vocal. E que vocal! É o grande charme da banda.


Sigur Rós
Na outra ponta do extremo, a initeligível, arrotulável e surpreendente Sigur Rós. Catando em um idioma e um instrumental único. É impossível descrever o sentimento de melancolia carregado em cada acorde ou verso. Ouça, mas é por sua conta e risco.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Climax -Rock progressivo boliviano

Em mais um sonho naquela soneca de 5 minutos depois do despertador me acordar, no meio do turbilhão de imagens e sons, em que mal consigo interpretar o que é o que em seus milésimos de segundos, que inexplicavelmente Rock Progressivo e Bolívia surgiram. Resultado: Acordei me perguntando se existe Rock Progressivo na Bolívia.
Foi só por curiosidade mesmo, mas depois de uma dantesca procura encontrei o único álbum da única banda boliviana presente no maior banco de dados do gênero no assunto, o site progarchives.com. Eis a banda Climax e seu álbum Gusano Mecanico.



O que eu esperava dessa banda? Nada. Sinceramente nada mesmo. Pelo ano do álbum (1974) já tinha em mente uma produção porca, amadora e de garagem, a final eram tempos em que gravações em discos eram extremamente caras. E o que esperar do país? Bolívia! Eu sei que é preconceito medonho de minha parte, mas quem em sã consciência espera achar algo primoroso em se tratando de Rock Progressivo em um país tão peculiar.

Bem, fãs de rock progressivo, segurem os queixos porque eu mal consegui o fazer depois que ouvi esse álbum. Se posso me considerar um bom conhecedor de músicas com instrumental complexo e bem trabalhado, viradas de baterias vertiginosas, solos de guitarras rápidos e com pegadas, baixo e teclados marcantes; posso também dizer que Clímax não perde em nada para grandes medalhões progressivos da década de 70. Duvida? Segue o link....

http://www.mediafire.com/?dndgf21j8p5dhhf

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A música do filme. O filme da música

Se você gosta de música e/ou cinema certamente tem sua vida marcada pelo menos uma vez por uma música ou filme. Alguma música te faz lembrar da adolescência, um personagem te lembra uma pessoa do passado, um filme te traz à mente um lugar... Difícil achar alguém que não faça esse “exercício” de memória.

E quando música e cinema se unem? Você ouve uma canção no filme e aquele momento da sua vida fica marcado pra sempre e os dois ficam interligados de forma que você ouve a música e se lembra do filme e não consegue assistir sem cantarolar.

Escolhi essas, em que a música se encaixa perfeitamente no conceito do filme e ambos me trazem um turbilhão de lembranças:

Twist and Shout – Beatles (Filme Vivendo a Vida Adoidado)
Um filme clássico adolescente dos anos 80 com uma música que marcou a juventude dos anos 60. Confesso que comecei ouvir Beatles a partir desse filme.



Down to Earth – Peter Gabriel (Filme Wall-E)
De longe a animação mais fantástica que já vi. Com créditos finais ao som desse gênio chamado Peter Gabriel.



Stop Crying Your Heart Out – Oasis (Filme Efeito Borboleta)
Esse final dispensa comentários



Where Is My Mind? – Pixies (Filme Clube da Luta)
Depois de descobrir realmente o segrede de Clube da Luta, Pixies pergunta “Onde está minha mente?” E eu vendo aqueles prédios desabarem, repondo que não sei. Realmente não sei.



Celine Dion – Go On (Filme Titanic)
Brincadeira =)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Belo, belo monte.



Creio que jamais conseguirei me expressar falando como faço escrevendo. Não é nenhum defeito de fabricação ou dádiva divina, é só uma característica mesmo. Queria falar bem, mas não consigo. A vida segue.

Em um debate na oficina “desinstitucialização”, tomei o microfone e disse pouco do que pensava sobre um tema bastante complexo. A construção da Usina Belo Monte (se não sabe do que se trata, informe-se). Não por coincidência, na platéia havia alguns índios que participavam de outras atividades e puderam opinar na nossa oficina. Depois de muito discurso socialista pré-programado e certa comoção indígena prestes a perder sua terra, pedi o microfone e com muita tremedeira expus minha opinião.
Contrariando vários colegas de lá, que diziam que a minoria capitalista que só quer explorar a população se sobressaia sobre a maioria “do bem” (questionaram até o nome “Belo Monte”. Por favor, ninguém é criança pra desconhecer o papel do marketing nessas horas), assim como outros que chamavam o que temos de defesa do meio ambiente de “falsa conscientização ambiental”, defendi a idéia de que o que vivemos na atualidade não pode ser tratado como uma falsa conscientização ambiental, ao passo que, se voltarmos 40 anos o progresso era sinônimo de desmatamento e que nosso governo dava o dobro de terra que uma pessoa desmatasse na Amazônia. Estamos longe sim, anos luz de um país ambientalmente sustentável, porém se hoje um índio consegue conversar com um político em plena Câmara dos Deputados e ser aplaudido, é porque algo mudou. E mudou muito.

Se o projeto Belo Monte estivesse pronto há 40 anos, a barragem certamente teria sido construída. Um alagamento gigantesco e sem precedentes seria apenas um efeito colateral irrisório no progresso, índios perderiam suas terras e teriam que tomar territórios das onças do outro lado da mata. E o pior, se achassem ruim, teriam que reclamar com Tupã.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sonhos simples.

Sabe aquele tipo de pessoa que fica feliz com qualquer coisa? É, sou eu. Não significa que eu não almeje crescer na vida, muito pelo contrário, ainda vou ser o primeiro presidente dos Estados Unidos sem nunca ter pisado naquele país.

Eu queria mesmo era ter um tico-tico (aquelas serrinhas de marceneiro), um bom estoque de madeira em compensado e muitos, muitos pregos. Passar dias construindo os móveis para minha casa do jeito que eu quiser. Mas não, não quero ser designer de interiores ou decorador, só quero meter a mão na massa (ou madeira) mesmo. Serrar, martelar o dedo, colar as mãos e ver o resultado pronto. É isso, nada de mais.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Rock Progressivo 80's - Quem procura, acha.

Há quem diga que a década de 80 foi a mais inexpressiva do rock. Logicamente levando em consideração que isso é muito relativo, pois, foi nessa década que surgiram bandas que hoje são ícones dessa cultura. Especialmente bandas de Heavy Metal como Metallica e Megadeath e também a New Wave of Britsh Heavy Metal, como maior expoente o Iron Maiden. Aqui no Brasil, depois de uma ditadura opressiva, roqueiros saíram das garagens com décadas de atraso e ganharam o mundo.



Mas muitos torçem o nariz pra essa época. Pessoas como eu, que tanto amam o rock dos anos 60 e 70 e viram suas bandas desaparecerem como pó. As que restavam buscavam se adaptar àquilo que acontecia no mundo da música cada vez mais eletrônica e também influenciada pela simplicidade do Punk Rock. Quem via bandas de rock progressivo como Yes, Genesis ou Pink Floyd como deuses intocáveis anos atrás agora via como vendidas ao mainstreen. O Yes, que já sofria mudanças de integrantes drasticamente emplacou o hit Owner of A Lonely Heart, uma espécie de monumento ao apelo comercial do rock progressivo. O Genesis já não era o mesmo sem Peter Gabriel no comando e a década de 80 só piorou tudo. O Pink Floyd, pós saída de Waters, lança Momentary Lapse of Reason, recheada de elementos eletrônicos e sem as características da banda.



Se as megabandas faziam feio nesses 10 anos, paralelamente surgiam outras que nos faz pensar que nem tudo estava perdido, especialmente mantendo as características do rock progressivo com seus instrumentais complexos, letras conceituais e músicas de longa duração. Se o Genesis não era o mesmo da década de 60/70, duas bandas podiam ser facilmente equiparadas a ele se analisarmos os vocais ao estilo Gabriel e instrumental de Hakett. IQ e Marillion se mostraram extremamente competentes ao criar um novo estilo, o Neo-Prog. Hoje é bastante difundido por nomes como The Flower Kings, Transatlantic e Spock’s Beard dentre outras bandas provenientes do norte europeu, conhecidos até pelos fãs mais antigos de rock progressivo. Outro subgênero do progressivo que nasceu nessa década, embora tenha explodido no início de 90, foi o Metal Progressivo, tendo como carros chefes o Queensryche, que lançou o hit Silent Lucidity e Dream Theater com Pull me Under. Duas das mais comerciais de todo o gênero, constantemente exibidas na MTV. O estilo mescla metal com rock progressivo, como resultado uma música pesada, por vezes veloz e na maioria das vezes complexa.


É certo que a comparação da década de 80 com 60, 70 e até 90 é pra se passar vergonha. Porém nada é imutável e artista que se preze não gosta de se prender a um estilo por 4 décadas ininterruptas. Mudanças são sempre válidas desde que eles saibam o que estão fazendo e o fazem pra suprir seus espíritos compositores inquietos. Há que saiba fazer sem perder sua essência, outros infelizmente não. Por sorte, ou coisa parecida, foi dessa década tão conturbada que se iniciou o que se tem de melhor das bandas em atividade atualmente em se tratando de uma espécie de novo rock progressivo (já não tão novo assim).

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Em que mundo estamos?"

Uma coisa é certa, pessoas mais velhas, acima de 40 ou 50 anos se orgulham de seu tempo. De um suposto mundo melhor qual se podia dormir de janela aberta sem medo de ser assaltado, ou até andar na rua com um colar de pérolas sem pensar que poderia ser decapitado. Sim, parte disso pode ser verdade. A criminalidade aumenta na mesma proporção em que a população migra do campo para a cidade, mas dizer que o mundo de hoje é pior que o de antes é uma bobagem sem fim.
Quantas vezes você pensou, disse ou ouvir falar “Nossa, como o mundo anda violento. Em que mundo estamos? Onde esse mundo vai parar.” (se ouve bastante se assistir o programa Brasil Urgente, apresentado por Datena, o maior abutre televisivo). Fato, atrocidades contra o ser humano acontece corriqueiramente sim e é inegável, o erro aqui é pensar que antigamente não existia.

Que tal uma brevíssima viagem ao tempo focando a violência, barbaridades, injustiças e etc?
Na pré-história o homem era um animal em evolução, até se tornar um ser inteligentemente diferenciado dos outros, era mais um ser que demarcava territórios brigando e matando. Na antiguidade, Egípcios, Romanos ou qualquer império, viviam em guerras constantes e seus próprios líderes se assassinavam. Na idade média todos que eram contra a igreja católica eram torturados, (http://startingzone.wordpress.com/2009/10/17/os-10-modos-de-tortura-medieval-mais-bizarros/) mortos e queimados feito baratas. As Grandes Navegações tinham como objetivo conquistar terras, dizimando ou escravizando os povos nativos. Na industrialização o proletariado era praticamente mulas que viviam de pão e água. Os Astecas eram sádicos, arrancavam o coração de seu próprio povo com as mãos como sacrifício para seus deuses. Preconceito? Negros nem eram considerados seres humanos. Consciência ambiental? Olha o que fizeram com a Mata Atlântica e seu pau brasil. E pra finalizar os exemplos macabros, o incrível tempo em que seus avós tanto se orgulham, qual os pássaros cantavam mais, as flores exalavam mais aroma, as frutas do parque podiam ser saboreadas. Século XX, 2 guerras mundiais. A segunda, dizimando milhões de pessoas de modo aterrorizante apenas por não ser branquinhas como aquele demônio com bigodinho simpático. Sem contar outras guerras não tão expressivas, rebeliões, revoltas ou qualquer coisa que faria um assassinato de hoje parecer um desenho animado. Quem em sã consciência pode dizer que hoje o mundo é mais violento diante esses fatos?

O que temos hoje é uma infinita maior comunicação globalizada. Pois, com a internet e TV sabemos de um pobre padre assassinado na Austrália, 5 minutos depois um turista é morto em Copacabana e já está na home de um portal de notícias, 10 minutos depois uma criança é morta pelos pais e a TV faz plantões sobre o caso a cada 5 minutos. “Meu Deus, em que mundo eu vivo?” Há alguns séculos, uma família inteira era morta a pauladas, queimada e virava pó. A diferença disso pra hoje é que antes ninguém ficava sabendo.
E quando vir o Datena indignado com a violência no mundo, o mande calar a boca e se ele não quiser ver atrocidades, que vá apresentar Bom Dia e Cia.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O vice e o "cof-cof" versa

Imagine um planeta com a atmosfera super poluída onde os habitantes sofram de doenças respiratórias constantemente. Não é qualquer poluição como vemos em grandes metrópoles como as nossas, é algo extremamente nocivo, uma fumaça branca viciante que causa câncer nos pulmões. A única forma de sobrevivência da população desse planeta é inalar cápsulas de ar puro comprado a preços exorbitantes.

Agora imagine o contrário. Um planeta com ar puro, onde a população inala poluição igualmente nociva enrolada em papel comprada a preços exorbitantes por livre e espontânea vontade.
Vocês fumantes são engraçados.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Nada tão relevante.

Onde e quando não interessa, apenas era lembrado que ele a amava, porém o sentimento não era recíproco. Confusões de sua mente provocadas por efeitos também não respondidos por volta a troca com outras pessoas e o sentido de tudo se esvai.
Tudo gira em torno de um filho, que as vezes era uma linda menina, outra um garoto sorridente, nunca com mais de 3 anos e menos de 1. Ninguém sabe ao certo como isso acontecia e muito menos se tem idéia de quem eram aquelas duas pessoas que enganavam a eventual mãe da eventual criança.

Quando a criança sumiu, se perdeu completamente a esperança de ser feliz, seja qual pai for. Porém, um alívio no coração era sentido quando se ouvia uma risada infantil de felicidade atrás da janela. “-Ela está viva, ela está viva”. Ele sabia que era ilusão, que aquelas pessoas maldosas pregavam peças nos pais explorando aquele sentimento de amor pelo filho que sequer cabia no coração. “-Não vá, são eles de novo”. Ele sabia que não podia fazer nada, os dois ameaçavam de morte a criança se ele ousasse chegar mais perto ou tentar algo.
Nesse meio tempo, sonhos paralelos iam e vinham como trens em uma estação. Não se tem certeza do que era, quanto tempo durava e muito menos quando ia terminar. Talvez horas, segundos, anos.

E assim, um sonho paralelo pôs sentido em tudo.
Ao voltar para casa, ao ver um daqueles seqüestradores, o agarrou pelo colarinho e, depois de ouvir “Me solte se não mato a criança” disse “Mate” e encravou uma adaga no seu peito. Repetiu a dose no segundo, esse, mais calmo e com a adaga alojada no abdômen, já sabia que ele tinha encontrado o sentido e disse “Você está livre”.
Nada nessa história faz sentido, se tratou de um sonho. Acordei assustado. No sonho, eu sonhei que aquilo tudo era um enigma, que a criança não existia e a matando eu estaria livre pra acordar. A criança não existia, mas o amor não correspondido, quem sabe.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Burocracia - O câncer da sociedade.

Tive uma ótima surpresa ao saber que escrever análises ou resenhas de filmes me renderia algumas horas acadêmicas na faculdade, pois é uma coisa que faço corriqueiramente a troco de nada, no máximo um comentário positivo. Além de ganhar horas acadêmicas, fiquei feliz, por ser uma forma de incentivar o lado crítico dos estudantes, fazê-los enxergar algo além do óbvio que vêem e ter mais discernimento sobre cultura em geral.
Pois bem, minha felicidade acabou ao ler o relatório da "resenha"...



De ótima, a surpresa passou a ser desagradável, terminando em uma imensa frustração e culminando nessa revolta. O que eu pensei que fosse escrever uma análise na verdade é uma espécie de avaliação com cara de prova de 8ª série.

Mais do que um relatório, essa aberração é um monumento à burocracia qual gira em torno das universidades públicas brasileiras, burocracia que nada faz além de sistematizar tudo que vê pela frente e, no fim, transformar os alunos em robôs sem senso crítico cultural, programados para escrever apenas como manda esse relatório ridículo.

Não quero responder perguntas prontas sobre uma resenha. Quero escrever livremente sobre o que entendi. Quero relatar o que senti, quero criticar o sistema, comparar personagens a figuras míticas; fazer crossovers com histórias em quadrinhos, séries de TV, poetas modernistas, tudo que achar pertinente e que se dane se estiver errado, estarei certo só por desenvolver meu lado criativo. Querer eu quero, mas quem poderia me incentivar, já que minha faculdade não faz isso?

É uma pena, mas universidades, que deveriam ser centros de cultura, ciências, esportes e artes estão cada vez mais próximas de fábricas de “profissionais” bitolados com visão de mundo direcionada. Não por esse relatório, ele é apenas um ícone que serviu feito uma luva, mas sim pela sociedade contemporânea aculturada e sem discernimento crítico.

sábado, 9 de abril de 2011

Jornalismo novela brasileiro.

Quem mora em cidade pequena sabe bem o que significa dizer “se torcer o jornal sai sangue”. Em cidades assim, não é muito fácil achar um acontecimento para ser estampado em uma manchete que fará esgotar o jornal nas bancas. Portanto a alternativa é apelar para acidentes, tragédias e crimes. Os grandes veículos, assim como professores de comunicação desdenham esse tipo de jornalismo (se é que se pode chamar isso de jornalismo) que pauta a tragédia nua e crua explorando o lado sádico do ser humano em ter curiosidade em desastres.

Mas, e se isso não estiver fadado apenas a jornalecos de fundo de quintal? Não está.
Hoje já faz dois dias que não leio um jornal, que não entro no UOL, Terra, G1 ou qualquer portal de notícias e que não assisto TV. Exatamente dois dias depois da tragédia da escola do Rio de Janeiro. Coincidência? Longe disso.

Nos portais de notícias, o que pulam às vistas são fotos e notícias de parentes das vítimas em desespero nos funerais. Na última vez que assisti um telejornal, vi um depoimento de uma criança contando como o assassino executava as pobres crianças com detalhes aterrorizantes, seguido de vários relatos de pais sobre como eram seus filhos, suas rotinas, seus sonhos e o doloroso ponto final em suas breves vidas. São coisas extremamente desnecessárias, como fotos e notícias de parentes passando mal, jornalistas imorais quase entrando nas ambulâncias, relato de crianças que, além de não acrescentar nada a ninguém, empobrece o jornalismo brasileiro.

Obviamente se trata de uma tragédia sem precedentes no país, mas como o jornalismo brasileiro trata não só esse, mas qualquer assunto chocante é nojento e covarde. Tudo é transformado em novela explorando ao máximo os sentimentos de pena e compaixão (levemente mais aflorado em brasileiros) a ponto de bitolar o espectador a um dramalhão mexicano da vida real. Se continuarmos assim, o Jornal Nacional passará se chamar novela das 8:15.

Fica aqui o tweet do meu amigo Nilto postado em seu twitter (@niltojunio)

“abutres munidos de filmadoras e microfones rondam as famílias das crianças mortas, ganha mais quem filmar dentro do caixão”

sexta-feira, 25 de março de 2011

Radiohead - O 4 ou 40 de King of Limbs


Não sou muito de fazer resenhas sobre um disco em si. Seja qual banda for. Vários motivos me leva isso mas o principal é que algumas de minhas bandas favoritas não lançam álbuns há anos, ou décadas e as que lançam não estão me agradando tanto. (Não é, Dream Theater?).

Ah sim, Radiohead está entre minhas favoritas há certo tempo. Não sei explicar o porquê de um amante de Rock/Metal Progressivo Sueco gostar de um rock alternativo altamente eletrônico como Radiohead, mas algo me manda buscar novas fórmulas de se fazer e perceber música, então eu simplesmente gosto. Sem preconceito algum.

Comecei ouvindo Radiohead do fim ao começo. Eu caí na sua jogada de Marketing de pagar quanto quisesse no seu álbum virtual In Rainbows. Saquei meu cartão de crédito e paguei a incrível fortuna de 4 dólares. Era oficialmente a primeira vez que comprava música em pela internet. Gostei e muito do disco e da sonoridade da banda. Era uma jornada por um caminho desconhecido da música pra mim, passando pelos grandes sucessos de Kid A, Ok Computer até acabar no xoxo Pablo Honey de 1993. Incrivelmente, Creep, a música mais difundida da banda, foi uma das últimas que conheci.

E de 93 pulo pra 2011. Desde que ouvi o nome King of Limbs pela primeira vez me veio à cabeça de que algo estava por vir. Aquela banda com um espírito inquieto digno de grandes gênios da música mostraria novamente seu valor. Meu erro foi afirmar isso, invés de me perguntar.

O disco não chega a ser tão ruim e mal feito quanto Pablo Honey, mas fica longe de um bom como In Rainbows e querer comparar com Ok Computer é covardia. O fato é algumas músicas boas não salvam o disco. Como a single Lotus Flower, que tem mais destaque por vir com um clipe de divulgação e ter uma sonoridade mais comercial. Passando por Codex, com um piano carregado uma atmosfera ímpar arrepiante em que vemos a tão famosa melancolia de Thom Yorke nos vocais e fechando com Separator, que fecha dignamente o disco.

Acredito que assim como os fãs mais ligados na banda, eu esperava mais do Radiohead. Muito mais. Não se pode jogar a culpa de não ter tempo de fazer algo grandioso, pois desde 2007 não lançavam um álbum, talvez seja um lapso de criatividade dessa banda que chegou a um patamar criativo tão alto em The Bends e Ok Computer que, ao vermos um álbum mediano como King of Limbs chega ser decepcionante. Mais sorte na próxima.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Live at Pompeii – O Floyd pelo Floyd

Música psicodélica é como berinjela, ou você ama ou odeia (eco). Se você não vê com bons olhos cotoveladas no teclado, cachorros uivando no microfone e guitarras fazendo sons estranhos, pare por aqui.
Live at Pompeii foi um filme da banda de Rock Progressivo Pink Floyd no anfiteatro de Pompéia, destruído pelo vulcão Vesúvio. O que de tão especial tem esse show? Absolutamente nenhum espectador. Novamente, se você conhece Pink Floyd apenas por Another Brick in The Wall, Wish You Where Here e não faz questão de passar disso. Melhor nem continuar.
O ano era 1971, época em que o Pink Floyd ainda buscava uma definição musical de fato desde a saída de Syd Barret. Tinham acabado de lançar Meddle e ainda não haviam gravado Dark Side Of The Moon (1973). Vivam uma transição entre resquícios da psicodelia de Syd Barret e a criação da sua identidade progressiva.
Aqui falarei sobre o DVD Pink Floyd Live At Pompeii – The Director’s Cut. Que além das filmagens originais, conta com entrevistas e outros extras. Destacando a entrevista com Adrian Maben, diretor e idealizador dessa obra sem precedentes no mundo; também raras filmagens dos membros da banda em estúdio na gravação de Dark Side of The Moon. (Destaque para Nick Mason reclamando da torta com crostas). O legal do DVD pára por aí. O show principal foi bastante modificado em relação a versão original, as vezes deixando de mostrar a banda tocando para exibição de imagens de planetas ou coisa parecida. Mas obrigado Adrian Maben, você pensou em mim. Colocou a versão original nos extras com a mesma qualidade de imagem.
Adrian Maben, conta em sua entrevista nos extras, que perguntou a banda se eles aceitaram tocar em playback. Aquilo foi quase um insulto, jamais os Floyd aceitariam fingir que tocam seus instrumentos. Resultado: O mais gigantesco equipamento musical da época transportado para o meio do nada, para o anfiteatro de Pompéia. Habitantes e guias turísticos locais dizem que o equipamento do Pink Floyd era tão potente que causou danos irreparáveis as estruturas do anfiteatro.
Uma das magias desse show é o destaque que cada membro recebe. Diferentemente dos outros em que futuramente Rick Wright e Nick Mason parecem apenas de base para as estrelas de David Gilmour e Roger Waters brilharem ao palco, cenas do tecladista e baterista são amplamente exploradas e fazem parte do que o filme tem de melhor. Dentre as memoráveis, destaco Wright maltratando um teclado com cotoveladas e sopapos, David Gilmour cantando com o cabelo esvoaçando ao vento (versão original, por favor), o dueto de Gilmour e Wright em Echoes, Roger Waters se preparando para “martelar” uma bateria e Nick Mason quebrando sua baqueta.
A partir do primeira nota de Echoes, entusiastas e fãs do inquieto espírito floydiano vêem a música, seu conceito e sua imagem o transportarem a uma nova dimensão do que é música. Aquilo que parece ser uma passagem de som é música. O que parece ser uma pessoa com raiva e maltratando uma bateria é música. Shows de mega bandas levavam dezenas, centenas de milhares de pessoas aos shows e o maior espetáculo do rock progressivo estava vazio. Era a música pela música. A magia pela magia. Floyd pelo Floyd.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Legião Urbana – Análises úteis (ou não).

Mesmo não tão frequentemente como a 5 ou 6 anos atrás, ainda volta e meia me pego ouvindo algumas de minhas músicas preferidas da Legião Urbana, como Metal Contra as Nuvens, Eu Era Um Lobisomem Juvenil, Dezesseis...
Pegando carona na notícia de que Faroeste Caboclo, talvez o grande clássico da banda, irá virar filme em 2011, compilei algumas coisas que reparei nesses longos anos em que ouço Legião Urbana.

- A letra de uma de minhas músicas preferidas, Eu Era Um Lobisomem Juvenil, não passa de um amontoado de frases de efeito que, juntas, não fazem sentido algum. Por exemplo:

Ontem faltou água, anteontem faltou luz
Teve torcida gritando quando a luz voltou
Não falo como você fala, mas veja bem o que você me diz


Isso pode até fazer sentido na cabeça do Renato Russo, mas fica difícil meros mortais entenderem.

- João de Santo Cristo é o nome perfeito para encaixar em uma música com letra tão gigantesca como Faroeste Caboclo. Quando a música exige um nome pequeno, ele usa João. Um nome médio: Santo Cristo e um nome mais extenso ele encaixa João de Santo Cristo. 3 nomes se torna muito útil também para não haver uma cacofonia ao falar da mesma pessoa várias vezes. Simples e muito eficiente.

- Essa é baba, todo mundo já deve saber. Renato Russo expondo ao mundo sua atração pelo mesmo sexo. Fácil de se notar em Meninos e Meninas:

Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui
Acho que gosto de São Paulo
Gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas


E não tão fácil assim em Daniel na Cova dos Leões, onde ele descreve uma relação homossexual. Talvez a primeira.

Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo.
De amargo, então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve,
Forte, cego e tenso, fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.


- Sem chances. A Legião Urbana era obra única e exclusiva de Renato Russo. Fato é que as evoluções das composições acontecem de acordo com as fases da vida de Renato. O início da banda, ainda com resquícios do Aborto Elétrico, com ideologia e musicalidade punk rock. Com letras voltadas a luta contra um sistema capitalista (Geração Cocal Cola, Que País É Esse?, O Reggae), passando por uma evolução e complexidade musical mais densa e letras “viajadas”, chegando a ter influencias progressivas (Metal Contra As Nuvens, Eu Era Um Lobisomem Juvenil) e, por fim, já sabendo que era portador do HIV e sabendo que morreria em breve, Renato Russo cria canções extremamente melancólicas, tanto em letra quanto melodias. (Todas as músicas do álbum A Tempestade).

Considero, de longe, Legião Urbana a mais bem sucedida banda de rock cantada em português do Brasil. Embora sem composições musicais complexas, elas se mostram bastante eficientes a se tornarem um pano de fundo para o que Renato Russo tentava dizer ao mundo. Às vezes sem tanto sentido explícito, ou sem sentido algum (acredito eu), mas sempre fazendo as pessoas refletirem sobre aquilo que ouviam. Hoje em dia já não é minha banda favorita, mas foi ela que abriu as portas para eu criar uma percepção musical crítica. E isso já me faz um eterno fã.