segunda-feira, 13 de junho de 2011

Belo, belo monte.



Creio que jamais conseguirei me expressar falando como faço escrevendo. Não é nenhum defeito de fabricação ou dádiva divina, é só uma característica mesmo. Queria falar bem, mas não consigo. A vida segue.

Em um debate na oficina “desinstitucialização”, tomei o microfone e disse pouco do que pensava sobre um tema bastante complexo. A construção da Usina Belo Monte (se não sabe do que se trata, informe-se). Não por coincidência, na platéia havia alguns índios que participavam de outras atividades e puderam opinar na nossa oficina. Depois de muito discurso socialista pré-programado e certa comoção indígena prestes a perder sua terra, pedi o microfone e com muita tremedeira expus minha opinião.
Contrariando vários colegas de lá, que diziam que a minoria capitalista que só quer explorar a população se sobressaia sobre a maioria “do bem” (questionaram até o nome “Belo Monte”. Por favor, ninguém é criança pra desconhecer o papel do marketing nessas horas), assim como outros que chamavam o que temos de defesa do meio ambiente de “falsa conscientização ambiental”, defendi a idéia de que o que vivemos na atualidade não pode ser tratado como uma falsa conscientização ambiental, ao passo que, se voltarmos 40 anos o progresso era sinônimo de desmatamento e que nosso governo dava o dobro de terra que uma pessoa desmatasse na Amazônia. Estamos longe sim, anos luz de um país ambientalmente sustentável, porém se hoje um índio consegue conversar com um político em plena Câmara dos Deputados e ser aplaudido, é porque algo mudou. E mudou muito.

Se o projeto Belo Monte estivesse pronto há 40 anos, a barragem certamente teria sido construída. Um alagamento gigantesco e sem precedentes seria apenas um efeito colateral irrisório no progresso, índios perderiam suas terras e teriam que tomar territórios das onças do outro lado da mata. E o pior, se achassem ruim, teriam que reclamar com Tupã.

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