sexta-feira, 26 de março de 2010

Novas empresas no Brasil: As dificuldades de mercado e a burocracia.

A ENG-MINAS, empresa de Frutal em funcinamento a 1 ano e 4 meses, é exemplo de do quão é complicado iniciar qualquer tipo de empreendimento no Brasil. V.C.R, relatou que a dificuldade de início é por no papel todo investimento a ser feito.
“A dificuldade é o seguinte, a gente tem que pensar o que vai ter que gastar pra por no papel qual vai ser sua determinação. Se você determinar um preço, 40 ou 50 mil. Você pode jogar 40 ou 50 por cento a mais.” – Relatou.

Pra piorar, além do alto investimento, um imenso e duradouro processo para abertura de firma deve ser travado pra que, enfim, o empreendimento possa entrar em funcionamento legal.
Confira o passo-a-passo para abertura de empresas no Brasil:

1) Fazer uma consulta do CPF do empresário junto a Receita Federal, para verificar se consta algum tipo de pendência com o Governo Federal (empresas não canceladas, IRPF e outros impostos atrasados). Caso haja algum problema, o empreendedor deve primeiro regularizar a situação para depois abrir a empresa. Caso contrário, a Receita não emite o cartão do CNPJ da nova firma.

2) Realizar uma pesquisa de nomes na Junta Comercial de seu estado, pois nossa legislação não permite que duas empresas tenham nomes iguais. Essa pesquisa, para ser bem fundamentada, deve ser extensiva ao INPI, setor de proteção ao registro de marcas e patentes.

3) Verificar se os documentos da sede da nova empresa estão em ordem.

4) Contratar um contador especializado em legislação de empresas.

5) O último passo é a formalização do empreendimento, com os seguintes procedimentos:
a) Registrar o contrato social na Junta Comercial do seu estado.
b) Obter o CNPJ junto à secretaria da Fazenda da receita Federal.
c) Conseguir a inscrição junto à Secretaria da Fazenda de seu respectivo estado (isso apenas em se tratando de empresa mercantil).
d) Obter a inscrição do cadastro do contribuinte municipal junto a prefeitura do município sede da empresa.
e) Se a empresa for do setor alimentício, providenciar sua inscrição no setor de vigilância sanitária.
f) Se a empresa tiver um ramo de atividade de indústria ou a ela equiparada, verificar se há necessidade de inscrição junto a Cetesb.
g) Empresas de profissão regulamentada, tais como sociedades de médicos, dentistas, contadores, advogados, psicólogos, administradores, terão que obter o visto prévio de seus respectivos órgãos de classe, isto é, os conselhos regionais.
h) Providenciar junto a uma gráfica a confecção de talões de notas fiscais, de serviço ou de venda mercantil, para registrar as receitas da empresa.

Segundo um estudo feito pelo Banco Mundial, o Brasil é o sexto país mais em termos de complexidade para se abrir uma empresa em todo mundo. Essas 14 ou mais etapas são não são mais burocráticas que países como Haiti, Moçambique, Laos ou Indonésia.
Para se ter uma boa noção, enquanto no Brasil, a abertura de empresa tem como média 152 dias, na Austrália tudo pode ser feito via internet e se gasta incríveis 24 horas.

E Após enfrentar o árduo processo legal de abertura, V.S.R. relata que o início das atividades comerciais é muito complicado. O investimento em propagandas comerciais locais é necessário para que possa posicionar sua marca no mercado local.
Ressalta também que o lucro do investimento será de fato visto anos após a abertura da empresa.

O mesmo estudo feito pelo Banco Mundial, em 2004, revela que iniciar uma empresa no Brasil e dar continuidade é inóspito, mesmo comparado a países mais pobres e atrasados. O estudo Fazendo Negócios 2004 mostra que a atividade empresarial no país enfrenta uma combinação de fatores institucionais adversos quase sem paralelo no mundo: Justiça lenta, leis trabalhistas retrógradas, burocracia dantesca e desestimuladora para abrir uma empresa e até para conseguir fechá-la. "Em seu conjunto, o número de regras e complicações no Brasil supera o da maioria dos países da pesquisa", disse a Simeon Djankov, coordenador do estudo do Banco Mundial.

O mercado brasileiro, por si próprio, é complicado. A saturação de empreendimentos e a crise financeira já são dois obstáculos que os novos empresários devem milagrosamente superar. Já não bastasse isso, ele deve combater, também, o processo burocrático que toda empresa teme e luta, mas nem sempre vence.

Tudo isso dá uma boa noção de como a burocracia toma conta dos processos que envolvem a relação entre os empreendedores e o governo. É lamentável ver tantas pessoas batalhando para colocar sua marca no mercado e ver o sistema burocrático de seu país fazendo de tudo para dificultar seu progresso.

Resta a nós, nos perguntarmos o que o governo ganha com toda essa burocracia. Imaginar que, quanto mais rápido uma empresa pode ser considerada legalmente aberta, mais rápido ela pagará impostos ao governo, pode até parecer ingênuo, mas também pode ser considerado bastante inteligente. Porém, nesses e outros inúmeros casos, a inteligência é algo bastante difícil de ser alcançado ao longo de nossa realidade jurídica.


Matéria escrita para Redação Jornalística III
Por pouco eu não me perco nesse labirinto de gravatas chamado Jornalismo.

Um comentário:

Mariana disse...

Nunca é fácil começar qualquer tipo de empreendimento em todas partes do mundo.
Eu acho que se tem que pensar bem antes de escolher o tipo, e depois sempre se pode.
Eu comecei com dermatologia no rio de janeiro e com trabalho e esforço, tudo se pode.